{"id":35,"date":"2014-08-24T17:59:37","date_gmt":"2014-08-24T17:59:37","guid":{"rendered":"http:\/\/diadopsicologo.cfp.org.br\/?page_id=35"},"modified":"2014-08-24T17:59:37","modified_gmt":"2014-08-24T17:59:37","slug":"formacao-profissional-em-psicologia-um-debate-necessario","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/diadopsicologo.cfp.org.br\/?page_id=35","title":{"rendered":"Forma\u00e7\u00e3o profissional em Psicologia: um debate necess\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p>Em agosto de 1962, a Psicologia foi regulamentada por meio da Lei 4.119\/62, que al\u00e9m de reconhecer a atua\u00e7\u00e3o do (a) profissional no pa\u00eds tamb\u00e9m disp\u00f5e sobre os cursos superiores de Psicologia, estabelecendo as condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas para que qualquer pessoa possa exercer a profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira em 2006, os 350 cursos de Psicologia ent\u00e3o existentes no pa\u00eds titularam 16.836 estudantes na forma\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, al\u00e9m de 1.086 em mestrado e doutorado.<\/p>\n<p>A qualidade do desempenho de um profissional pode estar diretamente relacionada \u00e0 sua forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica. B\u00e1rbara Conte, integrante do Coletivo Ampliado da atual gest\u00e3o do CFP e professora em programas de psicologia cl\u00ednica em n\u00edvel de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, percebe uma defasagem relativa \u00e0 falta de experi\u00eancia profissional dos alunos e o conte\u00fado das disciplinas ministradas nos mestrados e doutorados. \u201cO que vejo na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o \u00e9 que, geralmente, as pessoas s\u00e3o rec\u00e9m-sa\u00eddas da faculdade, jovens e com pouca experi\u00eancia cl\u00ednica como profissional, o que por vezes gera uma discrep\u00e2ncia entre o que \u00e9 oferecido e o que \u00e9 esperado no curso. Penso que h\u00e1 a necessidade de um\u00a0tempo entre sair da academia, trabalhar, se experimentar e criar questionamentos que possam ser o suficientemente instigantes ou perturbadores para desejar saber mais\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Para ela, a curiosidade que impulsiona a\u00a0busca do saber nas institui\u00e7\u00f5es de ensino superior vem sendo substitu\u00edda pela l\u00f3gica do imediatismo, que resulta em conhecimento instant\u00e2neo e superficial. \u201cFalta pensar sobre o vivido, refletir sobre as pr\u00e1ticas.\u00a0 Tudo tem que ser r\u00e1pido quer no tempo dispensado \u00e0s leituras, quer nas pr\u00e1ticas cl\u00ednicas. Al\u00e9m disso, muitas vezes os cursos atendem a uma demanda de mercado e nem sempre esta demanda coincide com qualifica\u00e7\u00e3o ou\u00a0 compet\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>O ac\u00famulo de conte\u00fado decorrente desta condi\u00e7\u00e3o nas institui\u00e7\u00f5es de ensino faz com que o debate cr\u00edtico reste prejudicado, explica B\u00e1rbara. \u201cTamb\u00e9m h\u00e1 muita resist\u00eancia quanto \u00e0 leitura, principalmente dos textos cl\u00e1ssicos e de outras a\u00e9reas que comp\u00f5em o conhecimento de\u00a0disciplinas da psicologia, como por exemplo a filosofia, que ficou fora dos curr\u00edculos da universidade em fun\u00e7\u00e3o da ditadura civil militar brasileira. A ideia de um curso generalista, com disciplinas que comp\u00f5em a \u00e1rea de humanas \u00e9\u00a0 fundamental para um pensar cr\u00edtico da psicologia\u201d, critica.<\/p>\n<p>Embora as quest\u00f5es mais imediatas da forma\u00e7\u00e3o do profissional na Psicologia e do pesquisador da ci\u00eancia psicol\u00f3gica n\u00e3o estejam diretamente relacionadas ao Conselho Federal de Psicologia (a atribui\u00e7\u00e3o central em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 forma\u00e7\u00e3o \u00e9 das redes e centros universit\u00e1rios, associa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas e profissionais), o CFP entende como fundamental a coopera\u00e7\u00e3o com o debate sobre a forma\u00e7\u00e3o do(a) psic\u00f3logo(a), por ser o \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel por regular eticamente sua pr\u00e1tica profissional e pelo compromisso pol\u00edtico que tem com o conjunto da sociedade.<\/p>\n<p>A representante do CFP aponta, ainda, que a contribui\u00e7\u00e3o do Sistema Conselhos na forma\u00e7\u00e3o continuada dos(as) psic\u00f3logos(as) se volta a dois aspectos b\u00e1sicos:\u00a0a diversidade das pr\u00e1ticas da psicologia, seus princ\u00edpios e fundamentos, e a forma\u00e7\u00e3o e regulamenta\u00e7\u00e3o. \u201cEnquanto Sistema Conselhos, trabalhamos com a diversidade de pensamentos e pr\u00e1ticas que precisam ser mapeadas, conhecidas e discutidas do ponto de vista da\u00a0\u00e9tica e das t\u00e9cnicas utilizadas. Muitas vezes a diversidade \u00e9 entendida como \u2018uma salada de fruta\u2019 de t\u00e9cnicas, onde a inter-rela\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria entre a teoria e a t\u00e9cnica n\u00e3o ocorre. Se falou tanto de uma teoria de\u00a0 sujeito que sustente uma pr\u00e1tica e t\u00e3o\u00a0pouco se encontra esta quest\u00e3o contemplada nos debates sobre forma\u00e7\u00e3o. Quanto \u00e0 quest\u00e3o da regulamenta\u00e7\u00e3o, muitas vezes verificamos a tend\u00eancia de\u00a0delega\u00e7\u00e3o ao Estado ou ao que est\u00e1\u00a0 mais preocupante, aos grupos religiosos. Penso que discutir a diferen\u00e7a entre os campos do que \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o independente do Estado e da religi\u00e3o \u00e9 uma atribui\u00e7\u00e3o important\u00edssima do coletivo que representamos\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>O engessamento da pesquisa acad\u00eamica resultante de exig\u00eancias das ag\u00eancias de fomento tamb\u00e9m \u00e9 olhado com preocupa\u00e7\u00e3o pela psic\u00f3loga. \u201cPenso que ainda h\u00e1 muito preconceito de que se realizem pesquisas bem conduzidas, \u00e9ticas, s\u00e9rias fora da academia.\u00a0A forma de se fazer ci\u00eancia, assim como ensinar,\u00a0 formar, transmitir a psicologia requer um debate cont\u00ednuo com certa dose de liberdade. A psicologia \u00e9 uma ci\u00eancia que visa o sujeito e hoje em dia o sujeito est\u00e1 substitu\u00eddo por\u00a0tecnologia. Esses impasses entre o que queremos pesquisar e para quem tem de se tornar mais transparente. O CFP pode abrir esses di\u00e1logos\u201d.<\/p>\n<h2>Est\u00e1gio<\/h2>\n<p>S\u00e3o atribui\u00e7\u00f5es do Conselho Federal de Psicologia (CFP): orientar, disciplinar e fiscalizar o exerc\u00edcio da profiss\u00e3o de psic\u00f3loga (o) (Lei no 5.766\/1962, artigo 6o, item \u201cc\u201d).<\/p>\n<p>Assim, considerando a import\u00e2ncia dos est\u00e1gios no processo de forma\u00e7\u00e3o dos futuros psic\u00f3logos e zelando pela qualidade dos servi\u00e7os psicol\u00f3gicos prestados \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, o Conselho Federal de Psicologia disp\u00f5e de normas sobre est\u00e1gio, compilados na publica\u00e7\u00e3o \u201cCarta de Servi\u00e7os sobre Est\u00e1gios e Servi\u00e7os-Escola\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em agosto de 1962, a Psicologia foi regulamentada por meio da Lei 4.119\/62, que al\u00e9m de reconhecer a atua\u00e7\u00e3o do (a) profissional no pa\u00eds tamb\u00e9m disp\u00f5e sobre os cursos superiores de Psicologia, estabelecendo as condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas para que qualquer pessoa possa exercer a profiss\u00e3o. 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